(8{> - (8{> - Matusalém Matusca

setembro 13, 2005

(8{> - Tá Mar

Sempre fui um admirador do Projeto Tamar. Desde o início, quando ficava na casa do Marcelo Cabeda (biólogo de Noronha e um dos fundadores do Tamar) até participei nas pioneiras marcações de tartarugas.

Ainda não conhecia a base principal do projeto, na Praia do Forte, Bahia. Agora estive por lá e realmente é decepcionante verificar no que se transformou o negócio. Puro negócio mesmo.

Tudo bem que existe a parte da educação ambiental, a conscientização da populaçao local, a preservação dos ninhos, etc. Porém, como justificar uma multidão barulhenta circulando pelo local para ver alguns peixes e cinco grandes cações lambarus espremidos num tanquinho de uns quatro metros de comprimento e uns oitenta centímetros de profundidade. E tartarugas enormes presas numa piscinha ridícula. As bichas enfiando os cabeções nas bordas, nitidamente estressadas com o ambiente. Para vocês terem uma idéia a melhor instalação no local é a loja de bugigangas - bem caras por sinal.

E não é por falta de dinheiro que o bagulho é assim. Segundo um morador de lá, com quem conversei, só a grana da Petrobrás é suficiente para manter o troço com alguma folga. Tanto que no final de cada ano eles compram mais carros para queimar a bufunfa que sobra. Dados do próprio projeto indicam que só com ingressos na área da Praia do Forte eles faturam mais de três milhões e meio de reais por ano. A venda de camisetas gera receita para cobrir um terço dos custos de manutenção do projeto, nacionalmente. Sem contar verbas do governo (IBAMA), outros patrocinadores privados, etc.
Cá entre nós: é uma nota preta pra soltar tartaruguinhas na praia, que é o objetivo principal do projeto. Como troco eles podiam deixar os lambarus em paz.

O que parece que eles conseguiram de "melhor" foi transformar Praia do Forte num lugar badalado, que na alta estação deve virar um inferno para os lambarus e os cocorocas que moram na vila.

Não encontrei o Guy Marcovaldi por lá - desde sempre o coordenador do Tamar. Ele é carioca, então, pode ser que eu consiga esbarrar com o ixtrupício por aqui e tascar uma tartaruga-de-pente na careca dele.